segunda-feira, 16 de maio de 2011

JOVEM AUTOR TRAZ INOVAÇÕES PARA O GÊNERO DO ROMANCE

Em perfeita sintonia com o mundo literário, Fernando Rinaldi construiu um estilo próprio e inovador ao publicar o seu primeiro romance. No livro Quadrilha, ele trata, em prosa poética, do tema conflito familiar de forma ímpar,com uma técnica original quanto ao formato do texto e desenrolar da trama

Por Lúcia Scotero

Ávido leitor de grandes obras nacionais e internacionais, como as de Clarice Lispector e de Fiódor Dostoiévski, o jovem autor Fernando Rinaldi, de 21 anos, acaba de lançar o seu primeiro romance, que elaborou entre os quinze e dezoito anos de idade. No livro Quadrilha (208 p., R$ 28,00), da Editora Arte Paubrasil, ele construiu um estilo próprio, trazendo algumas inovações ao gênero tradicional do romance. Tendo o seu título inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade, o livro narra à nova relação familiar do século XXI de forma ímpar, além de abordar outros assuntos polêmicos, como homossexualidade, adultério e eutanásia de maneira precisa. O estilo adotado nas descrições da trama faz com que o leitor sinta-se integrado ao narrado. Além disso, o livro é enriquecido por intertextualidades.

Na avaliação da escritora Vanise Macedo, responsável pela leitura crítica da obra, as inovações literárias trazidas pelo jovem autor são demonstrações explícitas de suas muitas leituras e de sua sintonia com o mundo literário e a arte de escrever. "Em determinados momentos, como em trechos em que o autor usa a pontuação como recurso de informação, básico para o entendimento da mensagem, ele revisita vários movimentos literários, como a obra de Machado de Assis e o Movimento Modernista", afirma a escritora.

O texto é extremamente original quanto a sua estrutura. O autor inicia com a apresentação dos quatro protagonistas, como um roteiro de teatro ou cinema, narrando as personagens individualmente. A constituição do narrador também se dá de forma ousada. Além de cada fragmento focalizar uma personagem, como num close-up cinematográfico, também ocorre a mudança de foco narrativo. Já os fatos que compõem a história estão enroscados num longo fio, com pouca noção de tempo ou espaço, e são revelados em linhas de poesia e prosa. Os conflitos se misturam também nas entrelinhas, deixando transparecer o sentimento dos protagonistas. "O sugerido diz mais que o revelado", complementa o autor. No último capítulo, quatro poemas contam verdades diferentes sobre a tragédia que permeia toda a história.

A despeito da diversidade formal do texto, a unicidade faz-se presente pelo eixo problemático da quadrilha. O objetivo é retratar a nova relação familiar e a falta de hierarquia em sua estrutura. Num jogo constante de construção e desconstrução no desenvolvimento da trama, o autor explora a intimidade das personagens. Dessa forma, o leitor depara sempre com uma surpresa, tornando a leitura da obra uma atividade não previsível. Existe, portanto, um quebra-cabeça tanto na história quanto na estrutura formal do livro.

As narrativas giram em torno do irmão mais novo, Antônio, e sua tetraplegia, que pode ou não ser simbólica, dependendo da leitura realizada. O sentimento de solidão prevalece em todos os elementos da família e existe, ainda, uma barreira intransponível entre eles. A homossexualidade não é tratada como uma escolha e nem de maneira determinada. Para o autor, a adolescência é justamente uma fase de descoberta da identidade. "As experiências amorosas e sexuais de Cristina, por exemplo, contemplam essa necessidade", explica. A morte é um tema recorrente no livro, mas geralmente subentendido. E a questão da eutanásia é secundária, porque ninguém sabe, de fato, o que aconteceu com Antônio.

Ao longo do livro, o leitor mergulha no mundo psicológico das personagens, descobrindo-as entravadas a suas angústias, complexos e medos, viajando por uma linguagem literária repleta de metáforas e de simbologias. O texto todo é uma grande colcha de retalhos, em estrutura de flashback.

Rinaldi é também autor de vários poemas, alguns publicados na abertura dos capítulos do livro Criando adolescentes em tempos difíceis, (Summus Editorial), da psicóloga Elizabeth Monteiro. Disposto a buscar sempre novos caminhos para sua escrita, ele continua em plena produção literária e já começou a escrever uma nova história, que pode se tornar o segundo romance. Além disso, pretende lançar também um livro de contos.

"Há ainda muitos temas que eu gostaria de explorar, assim como outros formatos de se contar uma história", revela Rinaldi. Ele, que já esteve em contato também com o universo do teatro e do cinema, quer manter um estilo próprio de escrever. Para o autor, a liberdade narrativa torna a literatura uma arte múltipla e mutante, assim como os jovens dessa nova geração.

Fonte:

Fernando Davino Rinaldi nasceu em São Paulo, em 1989. Ainda criança, começou a criar suas primeiras histórias e personagens. Fez curso de Letras na USP e atualmente cursa Relações Internacionais na PUC-SP.


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