quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sucesso de público, o espetáculo “As Criadas” reestréia no dia 16 de setembro e fica em cartaz até 7 de outubro.


Sucesso de público, o espetáculo “As Criadas” reestréia no dia 16 de setembro e fica em cartaz até 7 de outubro. O Núcleo Paulista de Artes também obteve elogios da crítica por esta montagem, formado pelas atrizes Beth Lima, Vanice Pedrazzini e Monalisa Capella. As Criadas é do polêmico escritor francês e a direção desse texto, ficou por conta da premiada Elvira Gentil que aos 80 anos, continua em plena atividade. As apresentações continuarão no Espaço dos Satyros 2, sempre às quintas-feiras, às 21 horas.

Jean Genet foi o dramaturgo e criminoso condenado que se tornou uma das figuras mais importantes no teatro.

Sinopse

Duas mulheres. Irmãs. Amantes. Rivais. Criadas. Na ausência da Patroa, satirizam a sua condição humilde, personificando fantasias de libertação e luxúria. Ora servas, ora senhoras. Num jogo em que se confundem poder e submissão, amor e ódio, pela Patroa e de uma pela outra. E é preciso levar o jogo até ao fim. Pelo menos, até o despertador tocar.

Realização: Núcleo Paulista de Artes da Cooperativa Paulista de Teatro.

Texto: Jean Genet.

Tradução: Alfredo Mesquita

Direção: Elvira Gentil.

Elenco: Beth Lima, Vanice Pedrazzini e Monalisa Capella.

Cenário: Lirian Pedrazzini.

Supervisão de cenário: Renato Scripilliti.

Figurinos: Eneida Palermo.

Iluminação: Valdecir Araújo.

Sonoplastia: Carlos Henrique (Poli).

Assistente de direção: Vanice Pedrazzini.

Produção Executiva: Eneida Palermo.

Assistente de produção: Etel Buss.

Cenotécnico: Jorge Ferreira

Operador de luz e som: Valdecir Araújo

Assessoria de Imprensa: Jardel Teixeira.

Cartaz e programa: Lígia Furlan e Xandi Vaz.

Temporada: de 16 de setembro até 7 de outubro.

Quando: às quintas-feiras.

Horário: 21h.

Classificação: não recomendado para menores de 14 anos.

Duração: 90 minutos.

Ingressos: R$ 30,00 e R$15,00 para estudantes, melhor idade e classe teatral.

Local: Espaço dos Satyros 2, Praça Franklin Roosevelt, 134, Consolação, São Paulo, SP, próximo a Estação República do Metrô, tel.(11) 3258-6345.

Lotação: 60 lugares.

Jean Genet

Esse ladrão, vagabundo e homossexual francês impressionou pensadores como Jean-Paul Sartre e Jean Cocteau com seus textos que elevam os transgressores a heróis dentro de uma áurea quase mística, mas que ao mesmo tempo disseca sentimentos universais em todas as relações de poder como o desejo, humilhação e a impotência. No Brasil, ficou conhecido por sua peça “As Criadas”, em que duas empregadas oprimidas pela Madame simulam seu assassinato — um marco do chamado “teatro do absurdo”.

O Texto

Segundo palavras do próprio Jean Genet, o autor, duas atrizes desenvolvem um jogo teatral ao serem “As Criadas” dentro de um procedimento perturbador, revelador de suas personalidades, com comprometimento psicológico diluído pela condição de subalternas, aprisionadas no extrato social a que pertencem, mesmo que a classe social a qual servem motive um procedimento de extirpação dos obstáculos que, supostamente, possa levá-las à redenção.

Elvira Gentil

Diretora, atriz, professora de teatro e prêmio APCA, participou de montagens operísticas e musicais. Atua, principalmente, na direção teatral e intercâmbios internacionais. Elvira Lima Gentil nasceu no dia 13 de setembro de 1930, em Votorantin, São Paulo. Formada como atriz na Escola de Arte Dramática (EAD) na turma de 1963/1964, fez o Curso de Preparação de Ator dentro do método de Stanislavski, com Eugênio Kusnet em 1968, além de ser estagiária no Curso de Teatro no H. B. Studio em Nova Iorque/USA em 1972. Entre 2009 e 2010 foi aluna de Chico de Assis no Curso de Dramaturgia e, no segundo semestre de 2009 iniciou o Curso de Artes Cênicas na Faculdade Paulista de Artes. Elvira também foi Coordenadora Cultural da Secretaria do Menor do Estado de São Paulo, de 1987 a 1994. Nos dois últimos anos, paralelamente às montagens teatrais, participou da curadoria dos 2º e 3º Festival de Teatro Ibero Americano no Memorial da América Latina.

As Atrizes...

Beth Lima

Atuou, entre outras peças, em “As Troianas” de Eurípedes, direção de Alexandre Dressler; “Alice Candura Pura Pura,” de Naum Alves de Souza, Maria Luisa Fonseca e Luís Carlos Cardoso; “A Casa de Bernarda Alba” de Garcia Lorca, direção de Laerte Morrone; “Mulher Verso Frente” de Afonso Gentil, direção de Elvira Gentil.

Monalisa Capella

Participou de diversas montagens dirigidas pelos diretores Wladimir Capella, Elvira Gentil e Jaime Celiberto, como “A Cartomante”, de Machado de Assis, em Portugal; “Tristão e Izolda”, ”Miranda” e “Avoar” textos de Waldmir Capella; “Bidu Sayão”, de Adir de Lima e Décio Gentil para o Festival Fazer a Festa na cidade do Porto em Portugal.

Vanice Pedrazzini

“Um Estudo em Vermelho”, de Conan Doyle e “O Diário de Anne Frank”, estão entre suas primeiras participações no palco. Entre vários outros espetáculos destaca as 2 versões (uma foi para Portugal) de “No Natal a Gente vem te buscar”, de Naum Alves de Souza, dirigidas por Elvira Gentil, “O Montador”, de Adir de Lima e Décio Gentil, ao lado de Laerte Morrone, que, por sua vez a dirigiu em “A Casa de Bernarda Alba” de Lorca. Nova visita a Portugal, ao lado de Miriam Mehler em “Bidú Sayão, uma Homenagem”, da dupla Adir de Lima e Décio Gentil. Em 2007 fez temporada no Teatro Sérgio Cardoso, sala Paschoal Carlos Magno, com “Revisão de \prova”, de Décio Gentil, direção de Elvira Gentil, novamente com Miriam Mehler.

O Projeto

Trazer à cena “As Criadas” desse escritor “maldito”, cuja vida pessoal e cuja obra provocaram tanta controvérsia, é trazer às pessoas de hoje, jovens ou adultos, a reflexão de que o mundo não mudou, pois, agora com muito mais requintes de ironia, sarcasmo e maldade mal disfarçada, percebemos a injustiça solta, contribuindo para a criação de transgressores “monstros” que, no desespero, impiedosamente atacam essa sociedade injusta e impune.

O Grupo

O Núcleo Paulista de Artes da Cooperativa Paulista de Teatro surgiu 1994 com a montagem da peça “O montador” de Adir de Lima e Décio Gentil, sob direção de Elvira Gentil, Laerte Morrone e Vanice Pedrazzini participaram do elenco. O grupo também realizou as peças: “Revisão de Prova” com Mirian Mehler, Mario Cesar Camargo no elenco, direção de Elvira Gentil e texto de Décio Gentil, em 2007. O Núcleo se uniu a Fernando Calvozo e juntos montaram “A Noiva do Condutor” de Noel Rosa com Denise de Freitas e “Bidu Sayão – Uma Homenagem” com Mirian Mehler, Leona Cavalli, Vanice Pedrazzini e a cantora lírica Solange Siquirolli, também texto de Décio Gentil em parceria com Adir de Lima. Com o espetáculo “Bidu Sayão – Uma Homenagem” fez turnê em Portugal e participou do Festival Fazer a Festa em Porto. Essa parceria também levou a Portugal: “No Natal a Gente Vem te Buscar” de Naum Alves de Souza e “A Cartomante” de Machado de Assis.

Criticas

Peça mostra empregadas que se revelam

Por João Varella, repórter de São Paulo do R7

Duas empregadas domésticas dão vazão a sentimentos e atitudes diferentes quando a patroa sai de casa. Mas ao contrário do ditado “quando o gato sai, os ratos fazem a festa”, nem tudo é alegria. Peça acerta ao ir de encontro ao lugar-comum. Na peça As Criadas, em cartaz em São Paulo no Espaço dos Satyros 2, as serviçais não só riem e comemoram quando a empregadora deixa a casa, mas também deixam aparecer lados ocultos de suas personalidades antes elas mesmas. Nessa trama, cujo texto é do francês Jean Genet (1910-1986), elas elaboram um plano para fazer com que esses sonhos escondidos prevaleçam. Se fosse um conto de fadas, as empregadas seriam boazinhas e a patroa, malvada. A diretora Elvira Gentil acerta ao não cair nessa escolha óbvia e embaralha os sentimentos com alguns detalhes. O fato de a atriz que interpreta a patroa (Monalisa Capella) ser duas gerações mais jovem que as empregadas (Vanice Pedrazzini e Beth Lima, esta última impecável) inverte o senso comum de forma simples e criativa. O tom shakesperiano das interpretações, aquele dos grande dramas teatrais, é justificado pela história, que lida com o lúdico e é uma grande tragédia clássica no final das contas, mas pode causar algum ruído. Não tira mérito do texto que dá voltas, porém sem nunca voltar ao mesmo ponto.

Avaliação: Muito bom

As Criadas

Por Vinício Angelici, revista stravaganza.

Toda vez que a patroa se ausenta, duas empregadas deixam de lado seus afazeres domésticos para ensaiar o assassinato da Madame. Trata-se de uma encenação marcada pela troca de papéis, falas e comportamentos. Na peça do dramaturgo francês Jean Genet, escrita em 1947, as irmãs Solange e Claire podem até se odiar porque ambas formam a imagem refletida do servilismo, mas se divertem nesse teatro dentro do teatro, nesse jogo de poder e submissão com timbre psicanalítico e viés sociológico. É a agonia de uma classe social em uma destroçada Europa pós-Segunda Guerra, às voltas com a instauração de uma nova ordem política e social. Na montagem dirigida por Elvira Gentil, a ficção forjada pelas criadas ganhou tintas realistas e sublinha a ironia trágica dessas personagens contaminadas pela aspiração de poder. Genet não tem compaixão em sua crítica à moral burguesa da época. Com sarcasmo, desnuda uma estrutura social corroída por relações de amor e ódio. O jogo de projeções e recalques construído pelo autor faz sentido em um mundo onde todos, em sua ácida visão, não passariam de atores. Por isso recomendava que a peça fosse interpretada por homens, exatamente para acentuar o poder da farsa. A direção optou por um elenco feminino, porém, isso não desidratou as ambigüidades dessas personagens em pleno exercício de faz-de-conta. Criadas e Madame continuam escondendo suas maldades sob a máscara da ironia. Nesta montagem sem excessos aparentes, não se faz concessões ao prolixo e ao humor fácil. O que a diretora ilumina, no fundo, é a luta de classes e deixa que a disputa se configure naturalmente em cena. A ótima tradução de Alfredo Mesquita, criador da EAD – Escola de Arte Dramática, se revelou uma boa escolha porque preserva a fantasia imaginada por Genet. A cenografia, de Lirian Pedrazzini, nome em ascensão na área, acaba se tornando uma provocação involuntária. No espaço exíguo do teatro, o entulhamento de peças e objetos funciona como símbolo de uma sociedade opressora. Poderia até ser um cenário cru, embora corresse o risco de perder seu caráter de denúncia. Os figurinos de Eneida Palermo são adequados e de bom gosto. O elenco revela sintonia com a proposta realista. Beth Lima e Vanice Pedrazzini, nos papéis respectivos de Claire e Solange, mergulham em seus personagens com entusiasmo e energia, estabelecendo a fricção necessária e expondo as nuances das serviçais. Apesar de jovem para o papel, Monalisa Capella tonifica o registro caricato, mas consegue dar credibilidade a uma Madame tola e fútil. É um espetáculo com luz própria e autoral. Eficiente em apreender a essência de um texto no qual personagens interpretam personagens que interpretam um papel. (Vinício Angelici).

Avaliação: Bom

Cenógrafa jovem e surpreendente

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil

Desde que freqüento o Espaço dos Satyros II, não me lembro de ter visto cenografia melhor do que a de Lirian Pedrazzini para As Criadas.de Jean Genet, autor francês cujo principal texto teatral foi O Balcão, sob direção de Elvira Lima Gentil, em cartaz apenas às quintas-feiras. É fato que a maioria dos espetáculos lá apresentados não focalizam pessoas que têm a seu serviço duas criadas, como agora. O que justifica plenamente o extremo bom gosto de todos os elementos cênicos, entre os quais muitas flores e cabides com roupas de belas cores. Os figurinos de Eneida Palermo e a iluminação de Valdecir Araújo não ficam nada atrás. Claro que são qualidades que também levam a assinatura da direção, a cargo de Elvira Lima Gentil. Além de um visual nota dez a montagem conta com excelentes atrizes (antes por aqui só lembro de ter assistido com atores): Beth Lima, Monalisa Capella e Vanice Pedrazzini. São qualidades que garantem que uma montagem merece ser assistida, especialmente para os que não conhecem esse autor tão maravilhoso e diferente da maioria. O único aspecto discutível é a leitura realista que casa bem com o texto, mas que – nos parece – ficaria mais atual e mais fiel ao teatro do absurdo, se interpretada como um jogo. Com um pouco mais de leveza. Mesmo assim, não percam, às quintas-feiras às 21horas no Satyros II, também na Praça Roosevelt.

As Criadas

Resenha por Dirceu Alves Jr. – Veja São Paulo.

De Jean Genet (1910-1986). Escrito pelo autor francês em 1947, o drama traz duas mulheres que, na ausência da patroa, satirizam a condição humilde, liberando suas fantasias. O jogo de poder e submissão transforma-se em uma relação de amor e ódio estabelecida entre as serviçais. Estreou em 15/07/2010. Até 26/08/2010.

Informações

Jardel Teixeira

(11) 6409-7072

(11) 3909-7822