sábado, 16 de julho de 2011

Nelson Baskerville e o espetáculo Luis Antonio - Gabriela




Simplesmente Nelson Baskerville...
Por Jardel Teixeira

Fui recebido por ele no saguão do Teatro e fomos tomar café, sentamos e começamos nosso papo... Primeiro falamos de nós, nossas infâncias entre outras coisas... Nesse instante Nelsinho, (como eu o chamo), começou a relatar sua vida e sua relação com seu irmão Luis Antonio. Ele me contou a história da sua mãe que morreu após o seu nascimento, do seu pai, da sua madrasta e finalmente do seu irmão. Eu lhe contei que iria escrever para uma revista digital Bears Mais e ele ficou curioso. Expliquei sobre o movimento dos ursos e que todos o acham o gatão e que ele deixaria de ser solteiro em cinco minutos e Nelsinho riu muito, aí começamos a entrevista...

Luis Antonio era homossexual, seu pai dizia que ele era adotado e que saiu de casa, virou travesti e perdeu contato com a família por quase trinta anos. Luiz se apresentava como Gabriela na noite de Bilbao, Espanha. Nelson conta na peça que foi molestado pelo irmão quando criança e que nunca mais o viu depois que ele saiu de casa. Nelson fala que a peça foi uma maneira de desculpar-se e de perdoá-lo ao mesmo tempo.

“Não sei explicar, mas tive a necessidade de montar um espetáculo que contasse a minha relação com meu irmão. Chegou o momento e eu não conseguiria falar sobre outra coisa e precisei narrar à experiência daquilo que vivi, um irmão travesti e o impacto para ele e para a família. A dificuldade foi imaginar qual seria o impacto de uma plateia. Como as pessoas receberiam? A história é trágica e eu não queria que fosse vista como tragédia, mas sim como alguma coisa que pudesse ser evitada se não fosse essa enorme ignorância. E realmente conseguimos nosso objetivo: as pessoas saem do espetáculo dizendo que precisam pensar melhor sobre esse assunto e que nunca tinham visto sob esse ângulo. E esse ângulo é o do não preconceito, do não maniqueísmo e da não autopiedade. O travesti é alguém que precisa ser inserido na sociedade, como qualquer outra pessoa que tem sua voz abafada por essa sociedade ainda machista, homofóbica e retrógrada. O público chora, ri e se transporta para um lugar acima da história pessoal que o espetáculo retrata”, diz Nelson Baskerville.

“Em 2002, recebi uma ligação de minha segunda mãe, Doracy - segunda mãe porque minha primeira faleceu após o meu parto, fazendo meu pai, Paschoal, viúvo com 6 filhos, casar com a Dona Doracy, viúva com 3 filhos, quando eu tinha 2 anos – ela me ligou pra dizer que Luis Antonio havia morrido na Espanha. Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, 8 anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós, os “irmãos da bicha”, “a família do pederasta” e outros nomes. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Eram quase 30 anos sem saber nada dele, sem saber se ele estava vivo ou morto, enfim, liguei pra minha irmã, Maria Cristina, advogada para passar a notícia pra frente e a preocupação imediata dela foi com os papéis, atestado de óbito, documentação para o espólio, etc. Mas não sabíamos nada do fato e nem ao menos o local exato de sua morte. Maria Cristina empreendeu então uma jornada fadada ao fracasso que era saber notícias do paradeiro dele. Depois de alguns meses, através da embaixada brasileira na Espanha ela o encontrou. Mas não exatamente da forma que esperava. Luis Antonio estava vivo, morava em Bilbao e a partir disso começamos a tentar formar e entender aquela lacuna de 30 anos que nos separavam dele. Minha irmã, numa aventura “almodovariana” foi encontrá-lo. Luis Antonio chamava-se agora Gabriela, tinha sido uma estrela das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e AIDS era a menor das suas doenças. Através da Maria Cristina, passamos então a ter notícias dele até sua morte, agora verdadeira, em 2006. As perguntas mais frequentes dos amigos ao saberem da história eram: mas vocês nunca mais se viram? Resposta: nunca. Por que não o trouxeram de volta ao Brasil quando o encontraram doente? Resposta: porque não. Você não foi nem ao enterro? Não. “Fiz esse espetáculo.”

Nelsinho tinha muitos sonhos e foi morar em Londres porque desejava entrar na Royal Shakespeare... No primeiro dia de setembro de 1961, nasce em Santos, Nelson Antonio Baskerville Ierardi.
É um ator, diretor, autor e artista plástico brasileiro, formado pela Escola de Arte Dramática - EAD - ECA – USP. Professor de interpretação do Teatro-Escola Célia Helena e diretor. Fez parte do Grupo TAPA dirigido por Eduardo Tolentino de Araújo e participou da montagem de “Solness, O Construtor”, de Ibsen, protagonizada por Paulo Autran. Fundou a companhia AntiKatártiKa Teatral, quando se fundiu com a Cia. Mungunzá de Teatro. Nesses anos, destacam-se os espetáculos “17 X Nelson”, coletânea de cenas de todas as peças escritas por Nelson Rodrigues, “Camino Real”, de Tenesse Williams, e “Porque A Criança Cozinha na Polenta”, de Aglaja Veterany, espetáculo que marca a fusão com a Cia. Mugunzá. Adaptou e atuou em “Quando Nietszche Chorou”, de Irwin Yalon, dirigido por Ulisses Cohn, contracenando com Cássio Scapin, e “O Retrato do Artista Quando Jovem”, de James Joyce. Desde 2008 se dedica a trabalhos como ator de televisão, minissérie “Maysa” e telenovela “Viver a Vida”, ambas escritas por Manoel Carlos e dirigidas por Jayme Monjardim. Nos momentos de lazer, Nelson pinta.

LUIS ANTONIO – GABRIELA
No documentário cênico, o diretor Nelson Baskerville retrata a história de seu irmão mais velho, Luis Antônio (1953-2006), homossexual que desafiou as regras de uma família conservadora dos anos 1960 e partiu para a Espanha sob o pseudônimo de Gabriela. A partir do argumento de Nelson Baskerville e intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin. Na montagem, a luz é operada pelos atores dentro do palco. Elenco: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias; Day Porto. Direção: Nelson Baskerville. Diretora Assistente: Ondina Castilho. Assistente de Direção: Camila Murano. Direção Musical, Composição e Arranjo: Gustavo Sarzi. Preparador Vocal: Renato Spinosa. Trilha Sonora: Nelson Baskerville. Preparação de Atores: Ondina Castilho.
Iluminação: Marcos Felipe e Nelson Baskerville. Cenário: Marcos Felipe e Nelson Baskerville. Figurinos: Camila Murano. Visagismo: Rapha Henry - Makeup Artist. Vídeos: Patrícia Alegre. Produção Executiva: Sandra Modesto e Marcos Felipe. Produção Geral: Cia Mungunzá de Teatro.
Duração: 88 minutos, Gênero: Documentário Cênico. Recomendação: 16 anos. Estreou 13 de maio e a temporada vai até 17 de julho.

Galpão do Folias (75 lugares), Rua Ana Cintra, 213 (Estação do Metrô Santa Cecília), (11) 3361-2223 / 3333-2837. Bilheteria: de quarta a domingo a partir das 16h. Aceita reserva por telefone. Dinheiro e cheque. Estacionamento R$ 10. Quinta a Sábado, às 21h. Domingo às 19h.
Ingressos: R$ 30 e R$ 10 (moradores do bairro da Santa Cecília).

Jogo Final


Jogo Final é o mais novo projeto do Núcleo Paulista de Artes.

Por Jardel Teixeira

A companhia apresentou uma leitura dramática que emocionou todos que lotaram os presentes no Teatro Maria Della Costa no último dia 11 de julho. Foi uma apresentação especial para captadores e empresas interessadas nos benefícios da Lei Rouanet na montagem do espetáculo.

Com direção de Elvira Gentil e a participação de 14 atores profissionais do teatro paulista, entre eles André Garolli, Oswaldo Mendes, Carlos Palma, Flávio Guarnieri, Márcio Tadeu, Monalisa Capella e Vanice Pedrazzini, realizou a leitura dramática de uma peça que fala de futebol e guerra, através de um fato verídico que ocorreu durante a ocupação da Ucrânia em 1941 pelos exércitos de Adolf Hitler.

Trata-se do episódio que envolveu a equipe do Start F.C, um time formado por empregados de uma padaria industrial de Kiev, contando com alguns ex-jogadores do Dínamo e do Lokomotiv, os dois principais clubes da cidade. Depois de disputar diversas partidas contra as poderosas e bem nutridas unidades do exército nazista, o time do Start torna-se um símbolo de resistência diante do invasor, mudando o curso dos acontecimentos.

Essa passagem tornou-se um dos mais notáveis exemplos de superação na história do esporte mundial, motivo de diversos documentários e livros a seu respeito na Europa. Foi com base nesse acontecimento que Décio Gentil desenvolveu o texto “Jogo Final”, ainda inédito, cuja leitura foi realizada no dia 11 de julho, no Teatro Maria Della Costa.

O evento – uma iniciativa do Núcleo Paulista de Artes, da Cooperativa Paulista de Teatro – foi dirigido especialmente para empresas que podem participar nas diversas cotas de patrocínio, aproveitando os benefícios fiscais garantidos pela Lei Rouanet, visto que o projeto está aprovado no Pronac sob número 093946.

Vejam o lindo projeto no site www.jogofinal.com.br

Espetáculo na Oficina Cultural Oswald de Andrade




Coração Dark Room

Texto, concepção e interpretação de Ricardo Corrêa.

Peça narra o universo do jornalista e dramaturgo, Caio Fernando Abreu
A Oficina Cultural Oswald de Andrade, espaço da Secretaria de Estado da Cultura, promove de 1 a 29 de julho, às 20h.

O Projeto Oswald Convida com o espetáculo Coração Dark Room, com ingressos a preços populares, de R$ 5,00 a R$ 10,00 reais.

Neste monólogo, o personagem narra à trajetória de sua última relação amorosa. A peça faz um mergulho no universo do jornalista e dramaturgo Caio Fernando Abreu e coloca o espectador diante da solidão do homem comum, representado por um personagem em conflito com a urgência de amar e a necessidade de sobreviver numa cidade repleta de desencontros.

A peça foi concebida e interpretada por Ricardo Corrêa e tem orientação geral de Gabriela Rabelo. A obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão, apresenta uma visão dramática do mundo moderno.

Serviço
Coração Dark Room
De 1 a 29/07 – quintas e sextas-feiras - 20h.
Indicação: a partir de 16 anos.
50 lugares (ingressos populares: R$ 10,00 e R$ 5,00).

Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - São Paulo – SP.
Telefone (11) 3221-5558 / 3222-2662.
e-mail oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br

Jardel Teixeira
(11) 6409-7072